quinta-feira, 11 de abril de 2024


Cortem-me as pernas
Digam que não sou suficiente,
Digam que sou burro.
Façam de mim
O que queiram,
Pouco me importa,
Ou que não queiram,
Tanto me faz!
As desculpas
Serão sempre as mesmas
E até novas. 
Nada vos importa,
A não ser o vosso benefício
Reles e egoísta. 
Eu um dia serei mais,
Ou até menos,
Só a mim me importará.
Já me chega
Do pouco que os olhos
Me conseguem ver.
A vida será o que eu faço
E o que luto para ser. 
Que os vossos limites 
Sejam só vossos e não os meus. 
Só de mim para mim
Preciso e que acredito,
Porque os sonhos
São meus e apenas meus
Para um dia lutar.

quinta-feira, 13 de outubro de 2022

Girassol

 

Meu girassol.
Saberás tu
O tanto que és?
Saberás tu
A vida que sonho
Em cada canto doce teu?
Saberás tu
O tempo que parou
Em cada beijo?
A vida já me foi fria
Até te saber.
Saberás tu
Cada toque
Que me vive,
Que me perde em teu ser?
Saberás tu
O alivio de te sentir?
Saberás tu
O tanto que me vivo
Por te ter?
Meu girassol.
Já pouco sou partido
E assim sei que vivo,
Apenas contigo.

terça-feira, 13 de setembro de 2022

 

Vejo dentro do assopro
Aquela bonita sensação
Do sentir, do saber sem dó.
Todas as certezas sem limites
E penas refletidas em fins.
Longas linhas transparentes
Em tantas folhas tão brancas,
Sem qualquer razão de deixar
O vazio se ver tão pouco só.
Foi dentro das palavras
Que tudo de mim se viajou,
No ouro mais valioso
Em mil gigantes valores
Ao te saber, te sentir tão doce.
Encontrei o começo e o fim,
A cura para as minhas escolhas
Tão doídas em feridas.
Foram as faíscas de calor
Que a vida me prometeu
Antes de me imaginar ou
Mesmo me saber.
Foste tu as razões espalhadas
Por esta confusão,
Foste apenas tu meu amor.

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Digno

 Não fiquei digno
De todo o resto do munto,
O resto que a mão
Apenas aceita ser suficiente.
Não fui digno do básio
Para quem não é
De onde realmente não é.
Fui digno de nada
Em nada ser mais
Do que apenas digno.
Não sou digno
Porque não sou suficiente.
A língua abraça mal as palavras,
Então não serei digno
De aqui pertencer.
Sou digno do menos
Em que poderei ser,
Não voei na gramática
Para fazer se esquecer
Que sou digno de pertencer.
Fui digno de todo o pouco
De nada ser.

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

 Leva este momento
Que o tempo já foi
Para muito longe,
O vento deixou
Tudo mais lento
E claro no único sentido,
Eu dentro de ti
Tu em todo de mim,
Fazes a vida ser mais
Do que apenas vida
Pelo simples facto
De ter-te aqui,
Somos fogo
Perdido neste inverno
Que não nos apaga
Mas que tenta 
Deixar-nos sós.
Espero perder-me
Assim contigo
Nesta dança de calor
Onde mesmo longe
Ou perto
O sentido seja mais
Do que frio
Num ritmo escrito em nós.


terça-feira, 29 de setembro de 2020

Já lá vai o tempo
Em que as palavras
Eram facilmente
Suadas pelas mãos,
Já lá vai o tempo
Que o frio
Era realmente frio
E a história
Ia além do tempo,
Ao vento agitado,
Se tornou simples
Os medos
Vivem e crescem,
Se diz dela,
Em que a razão
Era mortal
Mas não se suspiro.
E o som ainda
Escritas e provadas
Pelas noites sem sono.
Além das sensações.
Nem sei o que diga
O medo ainda está lá. 
Parece que tudo
E complexo. 
São apenas medos
A vida o mesmo
Longa e curta
Nas grandes curvas
Pouco apertadas.
Já lá vai o tempo
E seu sabor 
De água corrida
Pelos campos sem horas.
Agora tudo se respira
A vida é temida
Sem me temer
Surge sem surgir.
Já lá vai o tempo
Que o tempo
Se chamava vida.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Estou livre
Dentro da liberdade,
Dentro do alívio
De não saber estar
Apenas livre.
Estou tão livre,
As pernas não andam
Com tanta liberdade,
Os ventos não ouvem
Com tanta assim.
A vida já me decide
Ao tão livre
Que tanto estou.
O tempo anda
E a minha liberdade
Já lá passa,
Nem dei por isso.
Sou tão livre
Que até as mãos
Estão presas
De tão livre que estou.