Abri um livro diferente.
Suas palavras negras,
Sinto-as como mar de lágrimas.
Páginas com pó, esquecidas.
Um livro que envolve qualquer um.
Vivo em cada palavra a sua dor.
Ninguém o lê, ninguém o conhece.
Um livro que se lê como um olhar,
Um dom de conseguir ler para além de um.
Capítulos fora de ordem,
Páginas trocadas e rasgadas.
Sua capa afasta qualquer toque.
Sempre desejado nas primeiras páginas,
Deixado quando a necessidade é ser lido até à última.
Foi escrito de sangue, de amor não esquecido.
No silêncio, ouve-se um bater quente,
Um chamar confuso de nomes estranhos.
Este livro sofre as suas palavras.
Um livro que chora, e que faz chorar.
Será ele queimado talvez, mas nunca amado.
Livro que foi escrito para se sentir só,
Onde o final nunca se chega a tentar saber,
Porque ele mesmo não o permite.
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