quarta-feira, 4 de março de 2015

Chego sempre tarde.
Dou por mim já entregue,
Agarrado à caneta e ao papel.
Liberto-me sempre envolvido.
Escrevo as minhas cicatrizes,
Minhas palavras de mágoa.
Tento escreve-las para voar,
Para me deixarem em paz.
Acabam por volta com eficácia.
Um aliviado que sinto por segundos,
Pequeno tempo em que saem de mim,
Não me sinto nada mais vivo.
Afogo-me dentro do mar que me fazem chorar,
Mar dos meus males, do sangue transparente.
Escuto dentro do silêncio.
Grito para dentro de mim, e peço que se vão!
Mas continuam em mim, como parte final de mim.

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