quinta-feira, 18 de junho de 2015

Cá estava eu
No meio inseguro
Dentro de uma biblioteca,
Nada igual a tantas outras.
Ninguém se sujeitava
A uma entrada preocupada
Em ser leitor apaixonado.
Diferentes histórias,
Diferentes livros.
Ali era ser existente
Pelas capas que se escolhia,
Pouco ou muito relevantes.
Assim se desenha
A cada forma constante
De muito a nada viver.
Não me livrava
A ser produto de literatura.
Também me tinha
Como forma desigual,
De tão pouco valor.
Sentei-me em calma,
E deixei-me ir pelo comum
Das tantas palavras
Que conseguia ler.
O passado fluía
Pelos capítulos mal escritos,
E pouco lidos.
Deixei-me em pó,
Desgastado, rasgado.
Importei-me com outras
Sem continuação,
Ligação alguma a mim!
Julguei tanta importância,
E tanta talvez não tinha!
Deixei-me apenas
Num canto que me apodrecia.
Mais uma edição antiga,
Já não publicada,
Inacabada,
A muito que se esquecia!
O escritor morreu
Pelos anos que tanto viveu.
Não soube ser triste
O suficiente para escolher fim.
Deixaram de existir
Leitores de histórias,
Agora são chamados
Por “Julgador de capas”.
Vamos lá saber porquê,
Da ironia de apenas saber.

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