Saí para a noite.
Voava pelo mato seco em busca de frio.
Queria perder-me na flor preta,
Aquela que atropelei
Sem querer, sem perceber.
Baptizei-me em seu desabafo
De belos espinhos pouco coloridos,
Banhados de tanto sangue sofrido
Por tempos antigos quase vividos.
A flor aceitou-me,
Conheceu-me as veias de medo,
E bebeu nelas a conquista
Feita em sede de choro.
Sobreviveu num jeito doce,
Fui triste o suficiente para aquela flor.
Apaixonei-me pelas pétalas secas,
E senti-me muito mais só, e morri.
Conhecia-lhe o cheiro distante,
Um abraço esquecido em tempos de lua.
Não vivi para ser fiel a uma vida,
Vivi para ser parte apagada
De uma flor preta perdida.
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