terça-feira, 14 de julho de 2015

Embora não me recorde
De simples partes boas
A pouco lembradas,
Em toda a vida.
Sorria nos tantos,
Mas não sei
Como o sabia fazer,
Quase tão bem!
Sensações,
Em felicidade estranha,
Pela velha natureza
A tão pouco que o fui!
Segundos a sonhar,
Segundos a tentar viver
Todo o sonho!
Ainda nenhuma
Chegava ao bastante.
Aqui me valia,
Num testamento
Do velho sacrifício.
Guardava-me,
Ainda mais branco.
Silêncio vital
Na água azeda
Que bebi em vida.
Morria a cada copo,
Voltava a respirar
E enchia outra vez
Com um doloroso
Veneno vivo
De tentar viver.
Matava-me,
Com tanta sede
Em todas as noites.
Servi-me pouco,
Mas servi tanto
Aos demais!
Já nem sei
Porquê que existia,
Ou como existia…


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