Fui chamado pela lua.
Estava linda
Em tanto brilho vestido.
Senti-me só de mim,
E olhei-a com saudade
Do que tanto esqueci.
Entreguei-me,
Sem voz alguma
Na sua verdade
Como se minha fosse.
Ainda a olhava,
E sem hesitação
Agarrou-se a mim.
Levou-me,
Pelos seus tempos tristes
Onde nada se ligava.
Sem razão e sem porquês,
Fugia-se de respostas,
Fugia-se de falar!
Tempos incomuns
De silêncio sentido.
Todos eram templos,
Escravos de si mesmos,
A tudo o que escondiam
Para ser limitado.
Como hoje,
Vivo esse tempo,
Não por mal,
Porque só o sei
Viver assim.
Apenas calado
Não digo nada,
Por não saber dizer,
Como a lua.
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