terça-feira, 31 de março de 2015

Foi uma hora, uma realidade longa.
Meu coração parou, parou e viveu a hora.
Nada mais fui do que eu,
Dentro de uma simples hora em que fui eu, sem ser eu.
Uma hora em que é um dia, um ano,
Mais do que tudo isso até!
Uma hora que ainda a vivo,
Mesmo que passe todo aquele tempo por mim,
Como nuvens escuras que giram dentro
Do meu mundo parado, desabitado de mim.
Uma hora estranha dentro de um relógio confuso,
Em que um tic tac já não soa como música, como nada.
Uma longa e pequena hora que parou dentro de mim,
Uma que me envelhece por tudo e por nada.
É a mesma hora que me dá palavras em pensamentos,
Fazendo-me escrever aquela hora, mais que uma hora.
Uma hora em que vivo para morrer,
Em que vivo para contar chegar a mais uma hora que me leve.
Uma hora em que talvez descubra que seja uma vida,
Uma hora a mais que perdi, por pensar ser mais uma simples hora,
Em que andei a dormir e nem me lembrei.

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