domingo, 19 de abril de 2015

Chegou ele.
Com poucos segundos,
De tanto tempo a dormir,
De tanto tempo perdido em sonhos.
Alimentou seus pés de chão,
Saltou para ele de olhos fechados.
Respirava profundamente ao se espreguiçar,
Com fé de ar livre que necessitava.
Até que os abre.
Eram tantos iguais,
A olhar para ele,
Para aqueles olhos dele,
Estranhos, confusos,
Cheios de muito!
Olhou à sua volta,
Assistindo aquilo tudo,
Muito assustado!
A sua expressão ficou desiludida,
Ao sentir aqueles seres vazios.
Todos fugiram, todos o ignoraram,
Uma corrida do fim do mundo.
Ninguém o quis saber,
Ninguém se importou,
Deixando apenas só,
Naquela rua que ficou vazia,
Mais fria do que se encontrava.
Todos se foram,
Apenas o silêncio deixado,
Como presente de boas vindas.
Batia forte dentro dele e alto,
Um coração pesado de tantas diferenças,
Uma jaula de cores fortes.
Caminhou de volta,
Para não sei onde.
Estava tudo tão escuro.
Fechou seus olhos,
E esperou sonhos,
Esperou um abraço dado, apertado,
Uma luz de conforto.
Caio lágrimas dos seus olhos,
Fazendo pequeno corte.
Nas suas mãos.
Seu sangue começou a escorrer.
Não era só vermelho,
Era tantas cores, tantas palavras.
Usou-o como tinta,
E ficou ali assim,
Simplesmente a escrever,
E a desenhar muros à sua volta.
Fez-lhe ser aceite por aqueles seres vazios,
Transformou-se num fechado, distante.
Já ninguém o chegava,
Porque não mais o permitiu.
Fechou-se dentro dos seus muros,
Escondendo a sua necessidade.
Foi assim, que todos o deixaram andar,
Entre eles, entre aquelas ilusões,
Ficou frio, triste de si e calado.





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