segunda-feira, 20 de abril de 2015

Estou tão parado que corro!
Fujo de mãos presas ao chão,
Em areia de vidro que me corta.
Não imaginas tu o meu falar
De boca calada e cheia!
O meu abrir de olhos,
Para a luz, mas ver só escuro.
Mares de palavras que afogam-me,
E não saber dentro delas
Como as dizer, escrever.
Sinto-me tão frio,
Que até me transpiro.
Voei realmente, mas do chão não sai.
Eu vi-te, sem os meus olhos te tocarem,
Assim dentro de uma presença ausente,
Na noite em que o Sol tentou ficar,
Para simplesmente me lamentar.
Uma ocupação grande de vazio,
Dentro de um coração,
Meu, por te receber assim.
Sabes? Sozinho nunca estou,
O silêncio faz questão de acompanhar-me,
Deixando os pensamentos falar por si mesmos,
Assim muito e tão alto!
Até que surge uma dor de ouvi-los,
De não os querer mais!
Desespero de uma vontade de manda-los calar!
Um "quem" não tem boca para falar,
Um som não existente,
Um grito tão baixo que sai de mim.
E continuam-me simplesmente
A ignorar com toda atenção.
Lá sorrio eu, de tanto querer chorar.
Fecho os olhos e sonho sonhos cor de rosa,
Onde me sinto dentro de pesadelo.
Já viste tu isto?
Estou dentro de uma confusão tão organizada.
E continuo a correr parado de querer fugir.
Olho um relógio paralisado,
Um assim estranho, deixado de parte,
Sem tic tac verdadeiro por não se amar.
Agora estou aqui.
Preso ao chão por uns sapatos não existentes,
Que me desculpo por não estar calçado.
Ora assim fica.
Um começo recomeçado por um fim,
Apenas mais um de tantos e poucos assim.
 







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