Em miúdo,
Tinha um olhar diferente.
Esperava tanto!
Eu observava o mundo,
Fala com ele.
Fazia-lhe mil perguntas,
Dentro de porquês normais.
Procurava existência,
Dentro de um mundo,
Que construía por imaginar.
Perguntava-lhe se o amor existia,
Se ia ter alguém para brincar comigo,
Este jogo da vida, que sentia medo.
Em miúdo,
Já escrevia as primeiras letras.
Formava palavras simples,
Inocentes dentro da inocência,
Chorava por ter saudades da minha mãe,
Por estar dentro do escuro.
Não por sentir os monstros imaginários,
Mas sim, por sentir já o vazio.
Quando era miúdo,
Queria aprender mais letras,
Queria escrever sobre o meu mundo!
Em vez de o desenhar.
Sempre olhei os olhos dos outros,
Quando era assim miúdo.
Achava fascinante,
E triste por senti-los da verdadeira forma.
Olhava para as coisas mais simples,
E fazia delas minhas amigas, meus amigos.
Falava tanto com a Lua,
Sentia resposta ao fazer.
Quando era miúdo,
Queria tanto crescer,
Poder amar para abraçar!
Hoje acordei.
Sinto que esse miúdo lá se vai,
Chora por ver-me assim, perdido.
Quem me dera voltar a ele,
E abraça-lo com abraços que lhe prometi!
Agarra-lo, para não se sentir só,
Por eu estar só.
Sorria-lhe, e passava-lhe a mão no cabelo,
Demonstrava que ainda me lembro dele,
E assim não desaparecia de mim,
A minha melhor parte que me sorri, que me brilha.
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